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domingo, 13 de janeiro de 2013

SILÊNCIO



Nem sempre o silêncio cala.
Muitas vezes ele fala.
O silêncio grita e geme a dor que dói na alma.

O silêncio expressa-se até mesmo num olhar ou gesto.
É expresso num ato entre corpos.
O silêncio é leve e agrada,
mas também sabe ser como faca afiada.

O silêncio corrói as entranhas.
É uma dor tamanha.
O silêncio consente para o bem e também para o mal.

O silêncio é espaço vazio e não move moinhos.
O silêncio espera,
retrocede, desfalece...

O silêncio às vezes maltrata a alma,
mas também alegra e desfila em rios e velas da vida.
O silêncio está na vida e sua aquarela desmedida,
nas cores que pintam a vida.

O silêncio cala o silêncio.
Ele abafa nossos sentimentos mais reprimidos e insanos.
O silêncio desfaz muitos planos,
mobiliza, acalma e tranquiliza.

O silêncio tem duas vertentes:
Dois lados incoerentes.
É paz e também guerra.
É calado e silencia o tempo.
Emudece e aquieta o tempo...
Silêncio!

Ana Cristina  13/01/2013

sábado, 24 de novembro de 2012

REFÉM

                                             

Te amo mesmo quando não sei porquê amo.
Te espero mesmo quando não sei se você vem.
Te quero mesmo sem saber que me queres também.
Não brigo contigo mesmo quando preciso,
sorrio sempre, mesmo sem ter um motivo.
Me desespero ao pensar num amanhã em que tu não estejas comigo.
Nos teus lábios encontro um abrigo,
seguro esconderijo.
Por que não consigo dizer-te o que tanto quero,
quando mais meu coração necessita falar-te?
Por que digo que não tenho pressa
quando minha necessidade é rápida para os teus braços?
Me acabo!
Porque nego minha carência dos teus afagos enquanto te olho sorrindo?
Olhares cruzados.
Há fogo contido.
Explosão contida é verdadeira delícia escondida.
Infinitos encontros mesmo através dos nossos desencontros.
Ou seriam infinitos desencontros através dos nossos encontros?
Continuo negando,
e você fingindo que me diz não.
Acreditamos nessa brincadeira de jogar sem razão.
Concordo com teus nãos,
e disfarço meus “sins”.
Enquanto eu puder te ter,
ainda que só em mim,
comigo te manterei
já que sou seu refém.
Refém do mim que habita em ti.
Refém do “ti” que habita em mim.
Já não sei quem sou,
me perdi em ti
e aqui sempre ficarei
mesmo quando te disser adeus.

Ana Cristina. 24/11/2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

EU AMANHEÇO

A insonia e seus segredos invadem a noite logo cedo.
Pesadelos misturados a desejos e sonhos.
Delírios e desencantos.
Infortúnio, assombro.

O degelo das emoções congeladas, pedradas, pesadas,
me afogam em mágoas.
O cristalizado do ontem me paralisa no hoje,
como um fade out e seu implacável fim.

Me olho e não me reconheço.
Hoje só restam pó e cinzas.
Mas não sou nenhuma fênix.
Não aprendi a ressurgir das cinzas.
Não alimento nenhuma esperança.
Minhas pálpebras estão cansadas
de se banharem em lágrimas que escorrem pela minha face.

Notas de uma valsa triste, sem fim.
Perfume de jasmins.
Não quero deixar-me conhecer.
Prefiro esconder meu crônico adoecer.
Me ceda gotas de cura.
Alivie a minha dor.
Descanse o meu cansaço.

Me faça florescer como os lírios do campo.
Quero sorrir hortências com alegria e cores de violetas.
Mas o entardecer é triste.
Ainda que o céu me prometa estrelas,
o amanhã é tão incerto...

O futuro, um mistério.
Em nada se faz conhecer.
É secreto, eterno e finito
como um novo amanhecer.

Ana Cristina, 25/10/2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ÉS

Sou o que sou
Como sou
quando sou
sou
Sou o que quero
quando posso
não espero
sou
sou o que dizem
ainda que não concorde
sou porque sou                                                   
sou um nome
sou sonho
um encanto
sou
sou tudo e nada
sou sempre
sou
sou meio
sou fim
sou até quando não quero ser
sou as marcas da vida
sou sabor
sou cor e água
sou fogo e mágoa
sou dor
mas também sei ser amor
sou flor e espinho
sou pássaro no ninho
sou
amor e perdão
sou as notas da canção que escrevo
emaranhadas ao coração
que desesperado
afirma quem és!

Ana Cristina, 04/10/2012

domingo, 23 de setembro de 2012

A FOTO DE AGORA

O retrato na parede já não é o mesmo
As músicas que escuto já não surtem o mesmo efeito
O passado passou.
O futuro, ainda não chegou.
O presente é o agora.
Para que me preocupar com o amanhã?


Vida incerta,
mas sempre certa do fim que um dia lhe espera,
Nossa única certeza é a morte.


Pinto quadros.
Uso esquadros.
Vejo luzes coloridas
que reluzem minha escrita.


Minha sina
é medida sem medida
para ser vivida.


Perco a noite,
perco o sono,
só não perco o encanto
do olhar que me encanta,
do retrato que quero ter.


Vivo enquanto viver.
Minha hora é agora,
meu motivo é você.


Ana Cristina, 23/09/2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

SEM...


Profundo é o respirar
do pesar do meu pensar.
Como é duro o caminhar
quando já não se sabe o que esperar da espera.

Insano viver
quando não se sabe porque.
Sem rumo,
sem prumo é o barco que navega sem vela.

Infinda espera,
chama que não queima,
não arde e não incendeia
a alma,
que anseia
pela vida que corre por entre os dedos.

Candelabro sem velas,
céu sem estrelas,
Horizonte sem lua
seria a vida sem o fôlego que a alimenta
e que traz à vida
o encanto muitas vezes profano
do viver meu viver.

Ana Cristina, 04/09/2012.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

DISTÂNCIA


O chover da chuva
molha a rua
nua
crua
escura
tão sua...

Numa estrada invisível,
sensível
terrível
temível
"vencível"
tua.

Com o passar do tempo
sento
tento
aguento
invento
reinvento
a distância que separa
tu e eu

Ana Cristina, 20/08/2012

sábado, 21 de julho de 2012

ANÔNIMO



Moribundo
oriundo do nada
no mundo
poço fundo
rio raso
sem ter onde me agarrar.

Estrada sem rumo
"desestrelado" é o céu que me cobre!
Descobre em mim a vergonha
cegonha de um eco vazio.

Sem visão
meus pés não tocam o chão
o descaso e a indiferença
são meus amigos
Ingratos!

O desprezo e a irrelevância
me conhecem bem.

Invisível
imperceptível
sem nome
sem riso
assim me vês!

Não broto nem floresço...
Me esqueço de ser...

Até o pranto em mim secou!
Já não sei quem sou...
Meu nome?
esqueci!

Ana Cristina, 21/07/2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

PARA TODOS!



Nem sempre faço o que quero fazer
Nem sempre falo tudo o que penso
Nem sempre desejo aquilo que ganho
Nem sempre colho as flores que planto
Nem sempre tenho quem enxugue meu pranto
Nem sempre há uma nova chance
Nem sempre sabemos aproveitar a segunda chance
Nem sempre acerto mesmo tendo a intenção
Nem sempre somos reconhecidos pelo que fazemos ou como merecemos
Nem sempre recebo amor na mesma medida em que dou
Nem sempre se mora no coração de quem desejamos habitar
Nem sempre sonhamos enquanto dormimos
Nem sempre sabemos o caminho certo a seguir
Nem sempre temos certeza se existe mesmo esse caminho
Existe?
Nem sempre sabemos perdoar quem nos fere
Nem mesmo amando deixamos de ferir este alguém
Nem sempre é fácil caminhar sozinho
Nem sempre encontramos um bom amigo quando precisamos
Nem sempre a vida é fácil
Mas em algum momento ela nos cede momentos de alegria
Nos cabe aproveitar
Se errarmos,
podemos tentar novamente acertar
Podemos até novamente errar
Podemos não ter tudo como queríamos ter
Mas somos responsáveis por grande parte do muito que sonhamos
Nos cabe saber buscar
Nos cabe não desistir de sonhar
Nos cabe acreditar que amanhã podemos começar novamente
O amanhã é uma folha em branco
A caneta e a tinta somos nós
A escrita nos cabe...
O que você vai escrever na sua folha em branco de amanhã?
Se não foi bom hoje,
Pode ser amanhã...
Se for pra escrever nessa folha...
Que seja sempre o melhor da tua escrita
Ainda que nem tudo seja como se quer que seja
O importante é persistir no caminho
O importante é persistir na escrita...
Escreva...
Flores..
Amor...
plante mesmo na terra árida...
Um dia quem sabe a semente não brota
e a vida floresce!

Ana Cristina (02/07/2012)

sábado, 16 de junho de 2012

MAIS UMA LUTA!


Como uma ovelha em direção ao matadouro sou,
todo dia nessa selva de pedra,
matando um leão todo dia,
num caminho solitário,
de uma busca infinita,
por  meus sonhos sonhados,
Em minha vida que teima em viver.

Como uma ovelha em direção ao matadouro dou,
 minha cara a tapas,
mesmo com os olhos rasos d’água,
me sinto sem forças,
muitas vezes sem asas,
mas nunca me entrego,
espero!
Ainda insisto na esperança de um dia,
chegar ao fim do caminho
e encontrar flores,
amores,
sabores,
cores,
perfumes,
vislumbres.

Como uma ovelha em direção ao matadouro me sinto,
 muitas vezes perdido num caminho infindo,
que muitas vezes também
não tem o menor sentido,
Mas o sentido que busco,
não pertence aos outros,
pertence a mim,
somente a mim!

Como uma ovelha em direção ao matadouro clamo,
a Deus por socorro,
pois sei que um dia ele vem,
ah vem!
assim como sei ,
que se persevero o hoje
e o amanhã que virá também,
perseverarei sempre!

Como uma ovelha em direção ao matadouro,
me desvio dos lobos,
me desvio do mal,
me desvio de caminhos pedregosos,
por acreditar,
que um dia vou chegar
Aonde meu coração sonhou,
onde minha paz plaina
para encontrar a felicidade rara
tão buscada e desejada por esta ovelha que vos fala.

Sonhar e nunca parar, persistir até o final!


Ana Cristina, 17/06/2012